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«As suas intervenções não param de surpreender. Pela negativa.»

por alho_politicamente_incorreto, em 21.03.14

Não há intocáveis

no “inconseguimento”

Por José Manuel Alho

Importa abrir este exercício de Opinião confessando que, só a custo, me disponho a apontar o dedo à atuação de figuras públicas no exercício de altas funções de Estado. Incluem-se nesse restrito leque de «quase intocáveis» o Presidente da República, a Presidente da Assembleia da República (AR) e o Presidente do Tribunal Constitucional (TC).

Contudo, e se confrontado com intervenções ostensivamente descompensadas, impõe-me a consciência cívica verberar as condutas tidas por grosseiramente infelizes. Para nossa aflição e desventura, Cavaco Silva e Assunção Esteves têm entornado o caldo com uma frequência a roçar, quiçá, a insolência contumaz nestes tempos de severa agonia.

Apesar de, cada vez mais, defender a atribuição de importantes cargos a mulheres, não tenho como contornar o desempenho da presidente da AR. Como bem diz a Joana Amaral Dias, estaremos perante “um caso de estudo na política portuguesa. As suas intervenções não param de surpreender. Pela negativa.”

«(...)também o meu medo é o do “inconseguimento” da presidente da AR a tal ponto que ao “soft power sagrado” possa “corresponder uma espécie de nível social frustracional derivado da crise."  Não acredita? Palavras da própria em entrevista à Rádio Renascença, a 3 de janeiro de 2014. Endoidámos. Só pode!»

Com um percurso de mérito, Assunção Esteves, nascida em Valpaços, 15 de Outubro de 1956, foi deputada pela primeira vez em 1987, na primeira maioria absoluta do PSD durante a liderança de Cavaco Silva. Em 1989, foi nomeada pela Assembleia da República para o cargo de juíza no TC, que abandonaria 10 anos mais tarde com uma reforma antecipada. A sua vida política ainda passou pelo Parlamento Europeu como deputada. No seio do PSD assumiu vários cargos de onde se destaca a vice-presidência do partido durante a liderança de Marques Mendes. Foi apoiante de Pedro Passos Coelho na primeira candidatura deste à liderança do partido, da qual saiu derrotado por Manuela Ferreira Leite Em 1986, apoiou a candidatura presidencial de Mário Soares. Em 2011, tornou-se a primeira mulher a presidir a Assembleia da República após a dupla eleição falhada de Fernando Nobre.

Após 10 anos como juíza do TC e no mesmo ano que deixou essas funções, 1998, foi-lhe então atribuída uma pensão de 464.219 escudos, o equivalente a 2.315,51 €. Tinha então 41 anos de idade. Contudo, e segundo o jornal SOL, de 20.11.2011, «A presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, recebe 7.255 euros de pensão por dez anos de trabalho como juíza do TC. Por não poder acumular esse valor com o ordenado de presidente do Parlamento, Assunção Esteves abdicou de receber pelo exercício do atual cargo, cujo salário é de 5.219,15 euros. Mantém, no entanto, o direito a ajudas de custo no valor de 2.133 euros.» (sic)

Mau grado este palmarés, Assunção Esteves já terá protagonizado um inquietante punhado de «infelicidades». A saber: considerou que os protestos no parlamento serão um crime público e que se resolveriam limitando o acesso às galerias. Na sequência de um protesto na AR, ordenou a evacuação das galerias valendo-se de uma citação atribuída a Simone de Beauvoir, que parece agradar particularmente a Assunção Esteves: «Não podemos deixar, como dizia a Simone de Beauvoir, que os nossos carrascos nos criem maus costumes». A citação, naquele contexto, foi tida como despicienda dado que Beauvoir usou aquela expressão quando se referia à opressão nazi e aos horrores que dai surgiram.

Recentemente, pretendeu que as comemorações do 25 de Abril fossem patrocinadas por privados. Há poucas semanas, permitiu que o PM declinasse responder a uma deputada do BE. Já durante a impressiva manifestação dos polícias, a Presidente da AR decidiu reunir com os sindicatos. Não se entendeu. Fez promessas em nome de um governo que não representa? Então quem reclama no Parlamento comete um crime público e quem sobe as escadas é acolhido no salão?

Decididamente, Assunção Esteves desbaratou o capital de graça inicial e – socorrendo-me do arrojo linguístico trazido pela própria – também o meu medo é o do “inconseguimento” da presidente da AR a tal ponto que ao “soft power sagrado” possa “corresponder uma espécie de nível social frustracional derivado da crise."  Não acredita? Palavras da própria em entrevista à Rádio Renascença, a 3 de janeiro de 2014. Endoidámos. Só pode!

José Manuel Alho

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Redes sociais e

os novos conflitos virtuais

Por José Manuel Alho

As redes sociais na internet apareceram nos primeiros anos do século XXI e o seu crescimento e generalização nas nossas vidas impôs-se a tal ponto que sempre que nos referimos a redes sociais associamo-las instantaneamente a redes sociais on-line. Há dez anos, em 2004, surgiu o Facebook (FB). Sobressaiu desde cedo porque as suas aplicações estimulavam a interatividade de modo a otimizar as ligações entre os seus membros. Inclusivamente, em 2009, chegou-se à conclusão que o FB era já a rede social com maior número de utilizadores mensais de toda a internet. Em rigor, dos 625 milhões de navegadores, aproximadamente 58% desses utilizadores já havia aderido a redes sociais. Em Portugal, o impacto das redes é extraordinariamente significativo até porque, dos 2,9 milhões de frequentadores habituais da internet, mais de 2 milhões abriram página numa rede social. Em complemento, assinale-se que a principal motivação que animará os membros portugueses nas redes sociais cingir-se-á à... partilha de fotos.

Esta nova realidade, com tamanha adesão da sociedade, veio alterar bruscamente as relações humanas porque, além da democratização no acesso e na fruição, instigou o surgimento de novos problemas que derivarão da enorme exposição a uma realidade paralela, porventura demasiado alienante. E não ignoremos os ataques de criminosos digitais que, pelas mais diversas formas, escolhem as presas mais impreparadas com e-mails falsos ou programas maliciosos (cavalos de troia, vírus, escutas de digitação…), para assim descobrirem senhas e praticarem fraudes que surpreendem pelo nível de sofisticação.

Sinalizadas também as questões de competência ortográfica e gramatical, que denunciam cidadãos com inegável dificuldade em fazer-se entender nesta língua que (ainda) é a nossa, alerte-se para os novos “conflitos virtuais” causados pelas ameaças entre pessoas divorciadas, chantagens com imagens e vídeos de encontros amorosos anteriores, os namoros virtuais que resultam em grandes desilusões, a que se somarão crimes igualmente graves como a violação de direitos autorais, a invasão de privacidade, os processos por comentários difamatórios e ofensivos ou até mesmo a incitação de tumultos.

"Esta nova realidade, com tamanha adesão da sociedade, veio alterar bruscamente as relações humanas porque, além da democratização no acesso e na fruição, instigou o surgimento de novos problemas que derivarão da enorme exposição a uma realidade paralela, porventura demasiado alienante."

Excluindo desta reflexão os casos nacionais, que aguardam por uma efetiva conclusão judicial, recordo alguns acontecimentos que definem más práticas do uso das redes sociais. Sean Duffy, de 25 anos, foi preso por escrever mensagens no FB ridicularizando uma jovem que cometera suicídio. O britânico foi condenado a 18 semanas de prisão pelo que escreveu sobre a adolescente Natasha MacBryde, de 15 anos, e sobre outros jovens. A norte-americana Dana Thornton, de 41 anos, foi julgada no tribunal de Nova Jersey, nos EUA, pela acusação de ter criado um perfil falso do ex-namorado no FB e por ter publicado mensagens e comentários que comprometeram sua imagem. Em Chicago, um segurança de um aeroporto foi despedido depois de se ter “atirado” a muçulmanos na sua cronologia do FB. E, segundo o website “ABC7 News”, de nada lhe valeu ter trabalhado para o governo norte-americano durante… nove anos. Em abril do ano passado, uma funcionária de um banco no Reino Unido foi demitida por ter criticado o salário do superior também no FB. Stephanie Bon, de 37 anos, trabalhava por US$ 11,45/hora como assistente de recursos humanos num banco controlado pelo… governo britânico. Por fim, os ingleses Leigh Van Bryan e Emily Bunting que acabaram banidos dos Estados Unidos em razão de mensagens escritas no Twitter. Tudo começou quando Leigh enviou pelo microblog uma mensagem a uma amiga, anunciando que iria “destruir a América”. Num outro tweet, voltou a comentar com um amigo que estava em viagem de férias para “ofender pessoas” na Hollywood Boulevard e “desenterrar Marilyn Monroe”. É evidente que, em ambos os casos, tudo não passava de uma brincadeira. Porém, os agentes especiais do serviço de segurança dos Estados Unidos não tiveram o mesmo entendimento.

Em face do que se começa a perceber pelas novas implicações do recurso às redes sociais on-line, existirão algumas dicas que, em conformidade até com práticas diárias de convívio civilizado, poderão precaver dissabores maiores: evitar vínculos a marcas ou ao local de trabalho; publicar opiniões assentes nos princípios da boa-fé e da verdade e furtar-se a expor excessivamente a vida íntima por meio de comentários do seu dia-a-dia (horários, trajetos, agendas, local de residência…). De facto, qualquer utilizador deverá esforçar-se por não falar da sua rotina de trabalho, procurando resguardar o sigilo profissional. Para o efeito, impor-se-á utilizar linguagem e vocabulário adequados, de modo a evitar qualquer tipo de opinião que possa ser considerada ambígua, subjetiva, agressiva, hostil, discriminatória, vexatória ou que de algum modo possa ferir a imagem da sua entidade patronal, dos seus amigos ou de terceiros.

José Manuel Alho

 

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Albergariense lança primeiro livro em Aveiro

por alho_politicamente_incorreto, em 01.03.14

Laura Alho

“Um paraíso no inferno”

 

No próximo dia 8 de março, pelas 15 horas,

no Hotel Meliá Ria, em Aveiro,

terá lugar o lançamento público do livro

“Um paraíso no inferno”, da albergariense Laura Alho.

Na oportunidade, o orador convidado

será o professor José Manuel Alho.

 

 

Nota biográfica

Laura Alho nasceu a 15 de Abril de 1982, em Albergaria-a-Velha, e reside em Aveiro.

Iniciou o seu percurso académico em Línguas mas acabou por se formar em Psicologia, com especialização em Psicologia Forense. Encontra-se, atualmente, a tirar o doutoramento na mesma área, na Universidade de Aveiro, onde também colabora na lecionação de unidades curriculares. No âmbito do seu doutoramento, participa em diversos congressos nacionais e internacionais e possui itens de produção técnica publicados.

Paralelamente às suas investigações, e à constante formação profissional de que não descura, Laura Alho investe também na escrita, um dos seus sonhos mais antigos.

O seu entusiasmo pela escrita surgiu na infância e é através dela que comunica e partilha as suas experiências reais e ficcionais.

“Um paraíso no inferno” é a sua primeira obra, de entre outras que estão a ser escritas ou pensadas.

 

Como surgiu “Um paraíso no inferno”

“Um paraíso no inferno” só existe porque, assinala a autora, «sempre tive o gosto pela escrita e pela leitura. Geralmente, quem lê muito, escreve também, porque a leitura é a abertura ao conhecimento e o incentivo à criação.»

Em concreto, Laura Alho recorda que «esta ficção surgiu há oito anos atrás, com a criação de um blogue com o mesmo nome. Nessa altura, estava a passar por um período conturbado e a única coisa que me fazia sentido, e me fazia bem, era escrever. A par com o blogue, comecei a escrever o livro.» Logo de seguida, reconheceu que «quando o terminei, não soube o que fazer. Não queria enviá-lo para uma editora porque achava que não estava preparada para o desafio de publicar algo tão meu, tão íntimo. Ficou abandonado durante anos até decidir que tinha chegado o momento de dar voz a esse sonho antigo.»

Com efeito, e «somente há alguns meses, enviei-o para a Chiado Editora e recebi a resposta, dias depois, com uma proposta de edição.» - assinalou.

 

Motivações para partilhar só agora este livro

Sobre as motivações para só agora partilhar o seu livro, Laura Alho sublinha que «a principal foi intrínseca – saber que é exatamente isto que quero. Escrever. Se antes não estava preparada, agora sinto que é o momento certo. E, felizmente, é uma atividade possível de conciliar com tantas outras que tenho, sendo a que me faz sentir completamente realizada porque depende apenas de mim.»

Por outro lado, “Um paraíso no inferno” é, afiança a albergariense, «uma história atual e real. Real, sob o ponto de vista do leitor. Quando voltei a pegar no livro e o reli, fiquei impressionada comigo mesma. A mensagem é tão clara, tão límpida e, simultaneamente, tão profunda. Os personagens retratam pessoas que podem ser qualquer um de nós e as histórias de fundo são intemporais. Quando a nossa vida começa a desmoronar, a quem voltamos as costas ou quem culpamos pela nossa infelicidade? Deus. Acreditemos nele ou não, a verdade é que ele provoca em nós reações paradoxais. Deus é, talvez, o personagem mais controverso quer na ficção que escrevi, quer nas nossas próprias vidas.» concluiu.

Tal como o próprio nome indica, a principal mensagem que a autora pretende passar às pessoas é que, «no meio do inferno em que vivemos, com todos os problemas associados, é possível termos vislumbres de um paraíso. É possível termos momentos de felicidade, que nós tendemos a desvalorizar porque fomos habituados ao longo da vida a praguejar e a tornarmo-nos vítimas de nós próprios. Mas há um segredo para se ser feliz. Há uma fórmula mágica. E essa fórmula consta no livro e é diferente de pessoa para pessoa. Fazer com que a descubra – se estiver preparado para isso – é uma das minhas maiores motivações!»

 

Perspetivas futuras

Para o futuro, Laura Alho lembra que «se antes eu escrevia para mim ou para centenas de pessoas que liam o meu blogue, agora o processo é mais sério. Este é um sonho em concretização e qualquer sonho que se preze não deve ser interrompido. Deve ser continuado até que deixe de fazer sentido. Escrever é uma das minhas realizações pessoais e, por essa razão, a escrita continuará a fazer parte da minha vida.»

 Agora que a autora tem um compromisso com todos aqueles que fizerem parte do seu sonho, fica a garantia que «já há, inclusivamente, um segundo livro a ser escrito, o que significa que a máquina está em andamento. Lenta, mas firmemente.» - ressalvou.

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